Mundo
Morreu o rei Harald V da Noruega
O rei Harald V da Noruega, até então o monarca com o reinado mais longo da Europa, faleceu esta sexta-feira, aos 89 anos, anunciou o Palácio Real.
"É com profunda tristeza que anunciamos o falecimento de Sua Majestade o Rei Harald. O Rei Harald faleceu pacificamente no Hospital Nacional (Rikshospitalet) na sexta-feira, 28 de agosto, às 6h35 (5h35 em Lisboa) ”, afirmou o palácio em comunicado.
Membros da família de Harald, incluindo o príncipe herdeiro, a rainha e os seus netos, bem como a irmã mais velha do rei, a princesa Astrid, de 94 anos, visitaram-no no hospital nos últimos dias.
Após o anúncio da sua morte, a bandeira hasteada sobre o palácio foi baixada a meia haste. Os sinos das igrejas de todo o país tocarão ao meio-dia (11h00 em Lisboa).
"Toda a nação está de luto e, ao mesmo tempo, repleta de profunda gratidão por uma longa vida dedicada à Noruega", disse o primeiro-ministro Jonas Gahr Støre, em comunicado.
As estações de televisão cancelaram grande parte da sua programação, tendo a estação pública NRK passado a transmitir uma cobertura ininterrupta do rei.
Nos arredores do Palácio Real, os cidadãos começaram a depositar coroas de flores e a prestar homenagens desde o anúncio do agravamento do estado de saúde do rei.
As sondagens mostram um amplo apoio à monarquia entre os noruegueses, com quase dois terços dos inquiridos a manifestarem o seu apoio numa sondagem realizada em Maio deste ano, e com Harald como o membro da família real mais popular.
Embora o rei não tenha poderes políticos formais, Harald confortou a nação em momentos de luto, viajando para locais de catástrofes naturais para encontrar sobreviventes e discursando para vítimas de ataques.
Ao ascender ao trono em 1991, após a morte do seu pai, o Rei Olavo, Harald personificava uma Noruega aberta e tolerante.
Durante vários anos, sofreu de vários problemas de saúde, mas sempre afastou a abdicação, argumentando que tinha prestado juramento perpétuo perante o Parlamento.
Durante vários anos, sofreu de vários problemas de saúde, mas sempre afastou a abdicação, argumentando que tinha prestado juramento perpétuo perante o Parlamento.
Haakon, herdeiro popular de uma monarquia frágil
O herdeiro direto do trono, o príncipe Haakon, de 53 anos, que atuava como regente e que, segundo relatos dos media, passou a noite com o pai, torna-se automaticamente rei.
É da sua responsabilidade informar o governo sobre o falecimento e convocar os seus membros.
O herdeiro direto do trono, o príncipe Haakon, de 53 anos, que atuava como regente e que, segundo relatos dos media, passou a noite com o pai, torna-se automaticamente rei.
É da sua responsabilidade informar o governo sobre o falecimento e convocar os seus membros.
Uma promessa de modernidade, Haakon herda uma coroa norueguesa outrora considerada um exemplo, mas recentemente fragilizada por uma série de escândalos.
Após a morte do seu pai, o rei Harald V, na sexta-feira, este alto e barbudo rei de 53 anos sobe ao trono depois de ter enfrentado uma série de adversidades.
Os laços da sua mulher com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, a condenação por violação do seu enteado e as escapadelas do excêntrico casal formado pela sua irmã e um autoproclamado xamã americano mancharam a imagem da monarquia.
O novo rei, porém, é como os seus concidadãos: modesto, ponderado e avesso à pompa e à ostentação. Abraçou as preocupações da sua geração: a proteção ambiental, a luta contra o racismo e o combate à homofobia.
"É importante protegermos quem somos e que a Noruega seja um país onde seja possível amar e estar com quem quisermos", declarou após um ataque mortal contra a comunidade LGBT+ em Oslo, em 2022.
Nascido a 20 de julho de 1973, Haakon frequentou parte da sua educação em escolas públicas, atendendo aos desejos dos seus pais, Harald e Sonja, que queriam que ele se integrasse na cultura norueguesa "comum".
Após um período na Marinha, onde serviu num navio de mísseis, obteve um bacharelato em Ciência Política pela Universidade da Califórnia, Berkeley, e, mais tarde, um mestrado em estudos de desenvolvimento pela London School of Economics.
Fã de desportos radicais e de música, Haakon conheceu a mulher que mudaria a sua vida — e causaria um choque no reino — num festival, em 1999.
Mette-Marit Tjessem era mãe solteira e tinha um currículo modesto. Na altura, frequentava os excessos da cena musical "house". Já tinha um filho pequeno, Marius Borg Høiby, nascido em 1997 de uma breve relação com um homem com antecedentes criminais, incluindo crimes relacionados com drogas.
"A minha rebeldia adolescente era mais forte do que a de muitas pessoas", admitiu a futura princesa numa conferência de imprensa, com um toque de arrependimento, antes do casamento, em agosto de 2001.
A Noruega perdoou-a e acolheu-a de braços abertos. O casal teve dois filhos: Ingrid Alexandra, próxima na linha de sucessão ao trono, em janeiro de 2004, e Sverre Magnus, em dezembro de 2005.
Mas os problemas estavam a caminho. A irmã mais velha de Haakon, Märtha-Louise, defensora das terapias alternativas, foi acusada de explorar o seu título de princesa para obter ganhos comerciais e reacendeu a controvérsia ao casar com um autoproclamado xamã, o norte-americano Durek Verrett, a quem os seus detratores chamavam um perigoso "charlatão".
Em seguida, vieram os julgamentos com Marius, a quem Haakon tratava como um filho.
Detido em agosto de 2024, foi condenado a quatro anos de prisão por violação e agressão. Atualmente encontra-se em prisão domiciliária com pulseira eletrónica, aguardando o julgamento do seu recurso.
Ao mesmo tempo, a imprensa norueguesa publica várias revelações sobre a problemática amizade passada entre Mette-Marit e o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein no início da década de 2010.
Mesmo depois de o financeiro norte-americano já ter sido condenado por aliciar uma menor, Mette-Marit manteve uma correspondência próxima e, muitas vezes, íntima com ele. Mais tarde, ela diria que tinha sido "manipulada e enganada".
"Quando se casa, é para o bem ou para o mal", declarou Haakon em março de 2026 durante uma entrevista televisiva com o casal.
Estes escândalos mancharam a imagem da monarquia e corroeram o apoio à família real, que, no entanto, continua a ser popular no país escandinavo.
O próprio Haakon goza de elevada confiança pública: na última sondagem disponível, realizada em março, quase oito em cada dez noruegueses acreditavam que ele seria um bom rei.
Após a morte do seu pai, o rei Harald V, na sexta-feira, este alto e barbudo rei de 53 anos sobe ao trono depois de ter enfrentado uma série de adversidades.
Os laços da sua mulher com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, a condenação por violação do seu enteado e as escapadelas do excêntrico casal formado pela sua irmã e um autoproclamado xamã americano mancharam a imagem da monarquia.
O novo rei, porém, é como os seus concidadãos: modesto, ponderado e avesso à pompa e à ostentação. Abraçou as preocupações da sua geração: a proteção ambiental, a luta contra o racismo e o combate à homofobia.
"É importante protegermos quem somos e que a Noruega seja um país onde seja possível amar e estar com quem quisermos", declarou após um ataque mortal contra a comunidade LGBT+ em Oslo, em 2022.
Nascido a 20 de julho de 1973, Haakon frequentou parte da sua educação em escolas públicas, atendendo aos desejos dos seus pais, Harald e Sonja, que queriam que ele se integrasse na cultura norueguesa "comum".
Após um período na Marinha, onde serviu num navio de mísseis, obteve um bacharelato em Ciência Política pela Universidade da Califórnia, Berkeley, e, mais tarde, um mestrado em estudos de desenvolvimento pela London School of Economics.
Fã de desportos radicais e de música, Haakon conheceu a mulher que mudaria a sua vida — e causaria um choque no reino — num festival, em 1999.
Mette-Marit Tjessem era mãe solteira e tinha um currículo modesto. Na altura, frequentava os excessos da cena musical "house". Já tinha um filho pequeno, Marius Borg Høiby, nascido em 1997 de uma breve relação com um homem com antecedentes criminais, incluindo crimes relacionados com drogas.
"A minha rebeldia adolescente era mais forte do que a de muitas pessoas", admitiu a futura princesa numa conferência de imprensa, com um toque de arrependimento, antes do casamento, em agosto de 2001.
A Noruega perdoou-a e acolheu-a de braços abertos. O casal teve dois filhos: Ingrid Alexandra, próxima na linha de sucessão ao trono, em janeiro de 2004, e Sverre Magnus, em dezembro de 2005.
Mas os problemas estavam a caminho. A irmã mais velha de Haakon, Märtha-Louise, defensora das terapias alternativas, foi acusada de explorar o seu título de princesa para obter ganhos comerciais e reacendeu a controvérsia ao casar com um autoproclamado xamã, o norte-americano Durek Verrett, a quem os seus detratores chamavam um perigoso "charlatão".
Em seguida, vieram os julgamentos com Marius, a quem Haakon tratava como um filho.
Detido em agosto de 2024, foi condenado a quatro anos de prisão por violação e agressão. Atualmente encontra-se em prisão domiciliária com pulseira eletrónica, aguardando o julgamento do seu recurso.
Ao mesmo tempo, a imprensa norueguesa publica várias revelações sobre a problemática amizade passada entre Mette-Marit e o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein no início da década de 2010.
Mesmo depois de o financeiro norte-americano já ter sido condenado por aliciar uma menor, Mette-Marit manteve uma correspondência próxima e, muitas vezes, íntima com ele. Mais tarde, ela diria que tinha sido "manipulada e enganada".
"Quando se casa, é para o bem ou para o mal", declarou Haakon em março de 2026 durante uma entrevista televisiva com o casal.
Estes escândalos mancharam a imagem da monarquia e corroeram o apoio à família real, que, no entanto, continua a ser popular no país escandinavo.
O próprio Haakon goza de elevada confiança pública: na última sondagem disponível, realizada em março, quase oito em cada dez noruegueses acreditavam que ele seria um bom rei.